
Fiquei observando ontem à noite duas criaturinhas muito interessantes. Uma das quais eu considero o ser mais repugnante da Terra, depois do homem, e outra que desde então considero muito perspicaz, devido à situação que foi observada.
Estava distraído com meus próprios problemas que me iam acabar passando despercebidos, mas quando olhei para o lado, vi a cena em pleno ato.
A barata parada, distraída com o que quer que distraia uma barata e a lagartixinha, essas pequenas e clarinhas que vivem dentro de casa pelas paredes, que os portugueses chamam de “crocodilinho de parede”, ia se aproximando sorrateiramente por trás.
Primeiro passos largos para vencer a distancia, depois passos mais curtos para manter a cautela e por ultimo, movimentos tão sutis que mal pude notar (está certo que enxergo mal, mas não é para tanto), mirando o alvo, analisando a melhor hora para atacar, preparando o bote. Pude sentir sua palpitação, seu sangue circulava loucamente por todo seu corpo, seu coração disparado, esperando o melhor momento para atacar e enfim, alcançar seu objetivo. Eu praticamente era a lagartixa. Coração com coração, olhares fixos na preza, a respiração era apenas uma e enfim o bote...
E a barata escapa por muito pouco. Todo o esforço perdido, todos os cálculos por água baixo, todo o planejamento e a execução foi incompleta.
No entanto a minha heroína não desistiu, não daquela barata, aquela se foi. Mas ela persistiu no objetivo de ter um jantar aquela noite e foi atrás de outra preza, talvez dessa vez com mais cautela, talvez apenas com mais fome, mas uma coisa ela teve a mais. Experiência.
Essa ela levou consigo e não vai perder nunca, vai sempre adquirir mais e mais até se tornar a melhor das lagartixas ou até ser esmagada atrás de uma porta ou na sola de um sapato, mas vai continuar.
E então baratas humanas, sejamos homem-lagartixa e vamos em frente tentando melhorar, ou prefere o gosto de sola de sapato?
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